quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Webnar Índia

Essa semana tem mais Webnar e o país da vez é a Índia. Webnar é uma palestra online. Você pode assistir do seu computador e interagir no chat.Quem divide com a gente sua experiência no país é a publicitária de Belo Horizonte, Izabella Neves.
Então tome nota: hoje, dia 5, às 16h30, neste link:http://bit.ly/PYKT5V Não perca!




quarta-feira, 20 de junho de 2012

Angélica na Colômbia

Angélica Rigo está na Colômbia e nos conta rapidamente o que anda fazendo de bom por lá:

"Vim a Bogotá para trabalhar como voluntária numa fundação que constrói casas para a população carente. Aprendi não só sobre arquitetura, como também sobre relações sociais e cultura colombiana. Ajudei famílias a realizar o sonho de ter um teto próprio e recebi sorrisos e lágrimas de gratidão."





E você, já pensou em construir casas para famílias carentes?
Mais que isso: dar-lhes um lar?

sábado, 19 de maio de 2012

Álvaro no Egito

"Dizem que brasileiro é falante, simpático e fanático por futebol. Podemos até ser tudo isso, mas os egípcios não ficam atrás, não! Depois de 30 horas de viagem eu finalmente chego e avisto ainda de cima o lugar onde eu iria morar por 2 meses. Diferente da maioria das cidades, do alto o Egito é bege. É areia em todo canto e as construções são incrivelmente descoloridas em tons de bege. Antes de continuar contando minha experiência, fui para lá no ano em que ocorreu a Revolução de 25 de Janeiro, quando foi deposto o ditador Hosni Mubarak. Nem preciso dizer que o turismo desde então anda às moscas no país que é o berço da civilização e que um dia já foi um dos mais visitados do mundo. No meu vôo a maioria era composta de egípcios e de outros passageiros que estavam em escala para outros países do Norte da África. Então eu tive a grande visão: as pirâmides. Pedi meu assento na janela pra poder observar a cidade de cima e quando vi as pirâmides, tão pequenas lá de cima, foi a coisa mais linda e também o que botou meus pés no chão. Sim, eu estava no Egito! Eu parecia o único, tirando uma britânica engraçada e barulhenta, animado com aquilo. Todos estavam na santa paz enquanto sobrevoávamos essa maravilha construída pelo homem. Todos com suas caras de quem já viu aquilo tantas vezes que o poder da surpresa e de impressionar já havia passado. Só depois descobri que muitos egípcios, mesmo os cairenses, nascem, crescem e morrem na mesma cidade onde estão as pirâmides sem nunca vê-las. Mais ou menos como ser carioca e não ir ao Cristo Redentor. Acontece. E isso que egípcios pagam preços módicos (mesmo!) para entrar em qualquer lugar! Shame on you, my friends


Cheguei no aeroporto com 4 horas de antecedência, sem telefone de ninguém, apartamento no qual ficaria, nada. Já psicologicamente preparado para dar gorjetas pra tudo (hábito esse que eu perderia junto com a evaporação diária dos meus pounds), pedi um telefone emprestado e consegui explicar minha chegada prematura. Agora era esperar e assim fiz. Sentei-me com meu laptop pra avisar o Brasil que eu tinha chegado e que tudo estava bem. Nisso se senta ao meu lado um homem, de uns 25 anos. Fechei meu laptop, num sinal que julgo ser universal de quem está querendo bater um papo, e começamos a conversar. Deixa eu definir conversa pra vocês: ele não falava inglês, eu não falava árabe. Mas tínhamos a minha companheira de 2 meses de viagem chamada Lonely Planet, que by the way é item de primeira necessidade pra quem for viajar. E assim desenvolvemos uma forma de conversação bizarra em que eu mostrava as fotos dos lugares que eu queria conhecer e ele me falava sobre eles em árabe, naturalmente e como se eu estivesse entendendo. Eu soltava uma ou outra expressão em árabe que eu havia aprendido durante o vôo e assim ficamos um bom tempo. Chegou o pessoal da AIESEC, que ficou conversando com o cara que estava comigo. Só mais tarde descobri que tanto eles conversaram. O cara que agora já era meu amigo tinha dito que era pra eles cuidarem de mim, que eu era muito legal e coisa e tal. É ou não é muito amor ser recebido já assim? Contei esse causo pra exemplificar um pouco como o povo egípcio é. 


Miséria e muita BMW. Sim, o Egito tem mais essa semelhança com o Brasil. O país que têm grande miséria é o mesmo onde se vê a toda hora carros importados passando. Na época que fui o preço da gasolina era cerca de um terço do valor cobrado no Brasil. O resultado são ruas abarrotadas de carros, principalmente de táxis. Pegar um táxi é um capítulo à parte e digno merecedor de um manual. Para os desavisados, o árabe não é escrito com nosso alfabeto e nem os números são iguais. E como eu escrevi no começo do post, esse é o país da barganha. E não conseguir escrever o nome do local que se quer ir nem do preço que se está disposto a pagar exige muito jogo de cintura e paciência na negociação. A dica é algum aplicativo de celular que faça a tradução para o árabe. Uma vez dentro do táxi, esteja com o psicológico preparado para quando você estiver saindo do taxi, pois o motorista que minutos atrás era simpaticíssimo e até te ofereceu um cigarro, pode cobrar um valor mais alto quando chegar no destino. Conte até 5, respire e repita pra si mesmo que vai manter a calma, e então explique qual era o valor acordado. Como em árabe se lê da direita para a esquerda, o 25 que você escreveu na tela do seu celular e mostrou pro taxista pode se tornar um inflacionado 52 ao final da corrida. True story. E nem perca tempo se perguntando onde foi parar o espelho retrovisor do táxi que você pegou. Os táxis pretos, nos quais se barganha, são velhos e muitas vezes perderam seus espelhos retrovisores no caótico trânsito do Cairo. Eu tenho pra mim que eles tiram propositalmente pra passar mais facilmente em espaços ainda menores. Abaixo tem um sem o espelho pra vocês sentirem o drama. A sensação de segurança que dá pegar um táxi desses vocês devem imaginar.



No país que ultimamente tem ficado mais árabe que nunca, os 5 chamamentos para que seja feita a oração em direção à Meca são respeitados por um grande número de pessoas. Uma ativista nos contou que algumas décadas atrás era comum que mulheres usassem shorts no verão, que é super quente. Hoje em dia, isso praticamente não ocorre, pois o risco de represálias que uma mulher pode sofrer é grande. Eu poderia contar diversas histórias, mas vou fazer um apanhado geral sobre alguns aspectos
Diversão: falou em sexta-feira você já deu um pulo aí do outro lado, não é verdade? Mas lá é dia santo e é na quinta-feira que a noite é movimentada. E o que se faz? Que tal ir com os amigos tomar um delicioso chá e fumar narguilé (conhecido localmente como sheesha)? Ou então ir para os mercadinhos que têm em todas as esquinas e ficar lá conversando até de madrugada, bebendo aquela Coca-Cola bem gelada? Pode parecer estranho, mas é bacana porque dá pra conversar bem tranquilamente com os amigos enquanto se vai bicando algum chá ou refrigerante.
Para fugir dos roteiros: parque Al Azhar. Muitas vezes ignorado, esse parque é freqüentado por famílias egípcias. Crianças correndo e casais de namorados formam a paisagem. Aqui foi o pôr do sol mais lindo que vi, pois como fica num nível acima do resto da cidade, pode-se ver o sol caindo no horizonte atrás das Grandes Pirâmides.



Praia: enquanto os endinheirados vão para Sharm el-Sheikh, Dahab é um lugar mais relaxado e acessível. O Egito tem alguns dos melhores locais para se fazer mergulhos e seus corais são mundialmente famosos. Mergulho no Mar Vermelho deve entrar na lista das coisas a se fazer. Mas se não der, um leve mergulho com a máscara de snorkel já te deixa impressionado com a riqueza e o colorido dos corais. Se tudo isso ainda não te convenceu, lá eu fui na melhor festa que estive no Egito. Fim de caso. "


Pra quem se animou de ir pro Egito ou quer ler mais alguns relatos, desabafos, dicas e perrengues, lá vai o jabá pessoal: acessem http://www.alvineasesfinges.wordpress.com.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Patrícia na Sérvia


Србија

Um frio percorreu minha espinha quando olhei pela janela do avião que
pousava em Belgrado no dia 6 de fevereiro de 2012: o branco da neve
cobria tudo, apenas a pista do aeroporto dava uma cor diferente ao
cenário. Chegar sozinha à capital da Sérvia em um dos dias mais frios
do ano (e dos últimos anos), sem saber o que esperar daquele lugar e
daquelas seis semanas que viriam pela frente foi certamente uma das
sensações mais impactantes da minha vida.




Logo ao desembarcar, um conforto para o meu coração angustiado:
recepção calorosa, com direito a bandeirinhas com meu nome! Ao
conhecer as pessoas que tinham ido me buscar, percebi com grande
alegria que os sérvios podiam ser muito mais parecidos conosco do que
eu jamais havia imaginado! Pessoas abertas, falantes, alto-astral,
compreensivas com atrasos, animadas e prestativas.

Fui levada para o apartamento que dividiria com outros intercambistas
onde, já no primeiro dia conheci uma menina polonesa que dividiu o
quarto comigo durante todo o tempo e se tornou um super companheira e
amiga com quem mantenho contato. Ao longo das semanas, outras pessoas
chegavam e iam embora, mas sempre estávamos em 4 ou 5, então a
diversidade cultural era mantida o tempo todo; posso dizer que morar
com esses outros estudantes foi uma das melhores coisas da viagem,
pois conheci várias culturas além da sérvia e fiz amigos de muitos
lugares.



Nas duas primeiras semanas pude ver muito pouco da cidade, pois a neve
cobria tudo e dificultava qualquer passeio. Escolas e faculdades
fecharam, o que também adiou o início do projeto. Quando decidi que
queria viajar (em dezembro) não tinha muita idéia do destino e nem de
que tipo de trabalho gostaria de fazer. Só sabia que queria muito
conhecer pessoas/lugares/culturas novas e fazer isso da melhor forma,
contribuindo de alguma maneira, fazendo alguma diferença, por menor
que fosse. Minha busca pela vaga tinha que ser rápida porque queria
embarcar logo para não perder muita aula depois, na volta. Então,
quando encontrei um projeto sobre sustentabilidade e ecologia, área
que sempre me interessou e na qual eu via grande potencial, em
Belgrado, cidade que transborda história - estudo Relações
Internacionais e nem preciso dizer o quanto isso me atrai - pensei: é
esse e vou arrumar minhas malas! Malas prontas e tudo arrumado
(incluindo visto! Quem pretende ir deve fazer isso com antecedência
pra não surtar como eu) com muita correria, em menos de duas semanas,
e lá estava eu.


                     

Quando a neve finalmente deu uma trégua, comecei a conhecer Belgrado.
O lugar que mais me encantou foi Kalamegdan, um enorme parque cercado
pela fortaleza construída há mais de mil anos, onde tem também um zoo
muito bonitinho que vale a pena ser visto. A catedral de Saint Sava é
uma construção mais moderna, de poucos anos atrás, mas é parada
obrigatória. Seu interior ainda está em construção, mas a arquitetura
imponente encanta a todos. Belgrado é uma cidade que ainda está em
desenvolvimento, longe do padrão europeu que conhecemos, mas com
transporte público eficiente e segurança (pegava ônibus com muita
tranquilidade para voltar das festas). Por falar em festas, é a cidade
ideal pra quem gosta da vida noturna, há opções para todos os gostos e
clubes muito charmosos em barcos às margens dos rios Sava e Danúbio,
além de não precisar pagar entrada na maioria deles.

                                

Quanto à comida, não tive nenhuma dificuldade para me adaptar pois
eles não comem nada que seja muito excêntrico para nós, e achei tudo
muito delicioso. As padarias merecem destaque, pois são ótimas e muito
baratas! Quem for não pode deixar de experimentar o Burek, uma espécie
de pastel geralmente recheado com carne ou queijo e de sabor
excelente! Outra coisa que não pode passar batida é a Rakija, bebida
típica da Sérvia e outros países balcânicos. Pode ser feita a partir
de várias frutas, como uva, maçã, pera, entre outras tantas, e até de
nozes, mas o gosto é sempre bem forte (e o teor alcoólico bem alto!).
Na sessão dos não-alcoólicos, o Plazma shake é uma ótima opção.

                           

O povo, como já disse aí em cima, tem um jeito que pode lembrar muito
o brasileiro. Em geral as pessoas são bem informais e sempre que
precisei obtive ajuda prontamente. Uma coisa que me chamou a atenção
foi o orgulho com que falam de sua cultura e cantam e dançam suas
canções tradicionais sem vergonha alguma em restaurantes e pubs. Para
meu alívio e surpresa, muita gente (mesmo) fala inglês, especialmente
os jovens, quase todos com quem tentei me comunicar! E isso é
fundamental porque a língua sérvia é da "família" do russo, ou seja,
incompreensível. Além disso, eles usam dois tipos de alfabeto, o
cirílico e o russo, o que dificulta muito pra quem aprende a
identificar uma palavra num alfabeto e aí ve ela escrita no outro -
volta à estaca zero. Até ir ao supermercado era complicado no início,
mas tive a sorte de morar com polonesas que conseguiam entender alguma
coisa do sérvio e me ajudavam.



                            

O projeto não foi exatamente como eu esperava, mas considerando as
possibilidades que apareceram quando eu estava lá, acho que consegui
tirar o máximo de proveito e aprender muito com meus companheiros de
time. Passei por muitas situações inusitadas que só me fizeram
crescer; as diferenças culturais tendo que ser administradas na
convivência diária, os hábitos, o chuveiro que era só um chuveirinho
(!), o frio de -20°.. Mas cada momento lá valeu a pena, e agora,
apenas um mês e pouco depois de ter voltado, já lembro de tudo com
muita saudade. É clichê quem faz um intercâmbio dizer, na volta, que
não é mais a mesma pessoa; mas é inevitável! 



                           


 Recomendo a todos que me perguntam que visitem e conheçam mais da cultura, não apenas da
Sérvia, mas também da Bósnia, Hungria (lugares que tive a oportunidade
de conhecer nas folgas do projeto e que me encantaram) e de todo o
leste europeu. É preciso estar preparado, literalmente, para um mundo
novo quando embarcamos nessas aventuras, e esse mundo acaba dando
sempre seu toque à nossa formação.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Carol na Índia



Sempre quando se decide fazer uma viagem – e principalmente um intercâmbio -, o assunto vira pauta familiar, do trabalho, da faculdade e qualquer outro círculo de pessoas do qual o viajante participa. E coisa boa nunca vem, né?! No meu caso, vir pra Índia era sinônimo automático de doença, pobreza, assalto, preconceito e qualquer coisa parecida.

                                     

Mas, nada melhor do que ver e viver pra saber se é ou não verdade. Então vamos lá, compartilhar o que eu já confirmei (ou não) desde que cheguei

1. “O trânsito é uma loucura”: claro que depende muito da cidade/bairro/horário. Mas de maneira geral, é um caos. Um caos completo. Não que mude muito em termos de tráfego de grandes cidades brasileiras, mas o maior problema é o barulho e a desordem. Eles buzinam, buzinam, andam na contramão, se batem, enfim. Eu ainda acho que tenho uma chance enorme de ficar surda ou morrer atropelada. Já falei em outro post, mas sinaleiras e faixas de segurança inexistem. Agora imagina isso numa cidade com 7mi de pessoas. E sim, também tem vacas. E rickshaws. E pessoas.


                                         


2. “Os indianos comem com as mãos”: nas casas e em locais típicos realmente se come com as mãos e não é necessariamente nojeeento. Em escolas ou comunidades mais tradicionais, a comida é servida numa folha de bananeira. Ainda assim, em restaurantes existem talheres, mas dificilmente facas. Como eles não comem carne, nem tem muito o que cortar.

3. Homens e mulheres: é bastante evidente a “superioridade” masculina na sociedade como um todo. Homens se abraçam o tempo todo, trocam carinhos, dão as mãos, etc. E isso não acontece com as mulheres. Elas andam de lado na moto, se seguram na moto e não encostam nos homens. Não há qualquer tipo de demonstração de afeto em público entre homem e mulher ou mesmo entre mulheres.


4. “E tudo uma sujeira”: é realmente bastante sujo. Tem lixo pra todo lado e pra eles o conceito de limpeza é, com certeza, muito diferente do nosso. Minha mãe ia infartar se andasse ou tivesse que comer por aqui. Os copos vem sempre sujos, mesmo em redes como Pizza Hut, onde tudo é bem mais limpo. E o engraçado é que eles convivem com a sujeira como se nada fosse. As vacas – leia-se sagradas – comem e vivem dentro do lixo. Já que é sagrada, podia ser tratada melhor, né?!

5. “É um país perigoso”: eu não senti medo nenhuma vez aqui, mesmo de noite. Claro que andar sozinha de rickshaw, por exemplo, é um pouco assustador, mas de uma maneira geral não traz uma sensação de insegurança como a que a gente tem no Brasil. Os indianos mesmo dizem que aqui eles tem muito mais medo de grandes ataques terroristas do que questões cotidianas, como assalto ou sequestro. Além do que, tem tanta gente por todos os lados que qualquer coisa é só gritar.

                                            

6. “A comida é muito apimentada”: fato, fato, fato. TUDO, veja bem, TUDO, tem curry, pimenta, açafrão, cominho e todas as milhares de especiarias que um ser humano pode imaginar. Eu, que adoro pimenta, quase não consigo comer, pq é realmente muito forte. E é engraçado, pq eles comem tanto isso que as pessoas cheiram a temperos. É bom que aí não vem mosquito  Existe a opção de pedir com menos pimenta, mas eles nunca obedecem. Aí ontem encontramos uma tática:

-”Sir, is it spicy?”

-”No, mam”

-”Are you sure? I’m alergic”

-”Don’t you like pepper, mam”

-”I do Sir, but I can die if I eat”

-”Hmmm.”

7. “Indianos não comem carne”: realmente muitas pessoas são vegetarianas. Carne vermelha (de búfalo) só no Hard Rock. Eles comem muito frango (com curry) e em todos os restaurantes existem opções Veg e Non-Veg. Além disso, todo e qualquer produto é identificado: bolinha verde pra Veg e bolinha vermelha pra Non-Veg (até chiclete e Pringles tem!).

8. “A água é suja”: comprar água mineral aqui é MUITO barato, então não vale a pena arriscar. Pode-se comprar uma garrafa de 1L por 15 rúpias (50 centavos, mais ou menos) e refrigerante também é barato. Os locais tomam, mas as águas que eles servem de jarra é sempre meio turva e nunca se sabe de onde vem.

9. “A família é muito valorizada”: sim, sim. E isso é lindo. Todas as vezes que eu converso com qualquer indiano – principalmente crianças – eles perguntam o meu nome, o nome do meu pai, da minha mãe e se eu tenho irmãos. Se sim, querem saber o nome. Perguntam como eles são, se estão aqui comigo, o que fazem. Coisa mais fofinha.

10. “Indianos não se divertem”: que nada! Tem um monte de festa por aqui, até pq tem muito estrangeiro. A única diferença é que elas acabam por volta das 23h. Eles simplesmente acendem as luzes e colocam todo mundo pra fora.  A festa do ano-novo acabou 00h30, pra ter uma ideia. Além disso, em festas é possível ver várias indianas com as pernocas de fora, apesar de não ser muito culturalmente aceitável.





Mas essas são somente as minhas visões. Nada é comprovado cientificamente

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Καλώς ήλθατε στην Ελλάδα (Bem-vindos à Grécia)

Hoje vamos falar sobre a Ilha de Quios, na Grécia. A ilha, situada no mar de Egeu, fica bastante próxima da Turquia e tem em torno de 52.000 habitantes. Era de lá que a estudante de Jornalismo da UFRGS Ana Elizabeth Soares voltava há exatamente um ano, depois de dois meses fazendo trabalho voluntário.  Ana Elizabeth conta para o Blog da AIESEC as mudanças que o intercâmbio trouxe pra ela e dá dicas de viagem para quem pretende explorar a região.

Natural de Bagé (RS) e apaixonada por culturas, gastronomia e história, Ana Elizabeth não poderia ter escolhido um destino mais acertado para viver seu intercâmbio do que a Grécia. A gaúcha de 22 anos trabalhou em um projeto chamado School P. Box. Nele, junto com outros três jovens do Panamá, Romênia e República Tcheca, ela lecionou aulas e pequenas palestras sobre diversidade cultural, sustentabilidade e liderança jovem para estudantes de escolas públicas em diversos povoados da ilha. O projeto nasceu na entidade da AIESEC na Ilha de Chios e acabou ganhando proporção nacional, sendo repetido em diversas cidades da Grécia. Para Ana Elizabeth, que sempre teve vergonha de falar em público, o projeto foi uma chance única. “De repente, me vi na frente de uma turma inteira de pré-adolescentes tendo que tentar passar algum conhecimento em outra língua, o inglês. E o que acabou acontecendo foi uma troca incrível de histórias, culturas e muito conhecimento”, afirma.


                           Ana entre outros intercâmbistas da AIESEC na Grécia
O tempo de Ana na Grécia também foi marcado pela situação econômica instável no país. A estudante de Jornalismo diz não ter sentido o abalo na economia dentro da Ilha em que morou, mas presenciou manifestações, tanto da crise quanto da população, na capital do país. “Dava pra ver que o preço das coisas era bem menor comparado ao padrão europeu. Vi várias manifestações na Praça Syntagma, em Atenas, mas tudo muito pacífico”, conta. Para ela, a maioria das imagens transmitidas pela TV representa apenas uma parte do que realmente acontece no país.  A gaúcha também conta que, mesmo em crise, o país se mantinha organizado. “Existe até um site que informa os dias e horários que o transporte público vai parar”, relembra.“Os jovens gregos também sempre me pareceram bem interessados e ativos em relação à situação toda. Sempre me perguntavam como o Brasil passou de devedor do FMI a uma das maiores economias do mundo”, acrescenta.
O intercâmbio para Ana não foi só uma oportunidade de conhecer outro país em meio a uma crise econômica, mas a chance de conhecer melhor e participar mais ativamente da AIESEC. “Tudo que eu aprendi lá, tanto da AIESEC como da vida, eu vou levar para sempre junto comigo”, conta a estudante, que afirma ter voltado uma pessoa melhor, encarando todas as circunstâncias da vida como oportunidades de aprendizado e crescimento.

                                               Ana com seus alunos
Um ano depois de voltar da Ilha de Chios, Ana Elizabeth sabe que não foi só o projeto ou o país que impactou a sua experiência por lá. Para Ana Elizabeth, o que mais marcou seu tempo na Grécia foram as pessoas.  “Cada segundo vivido lá. Cada pessoa que conheci. Cada lugar que eu passei. Cada amizade que eu fiz. Cada coisa que aprendi. Mesmo um ano depois, as lembranças estão mais vivas do que nunca”, afirma.
Pensando em ir para a Grécia? Confira as dicas da Ana Elizabeth sobre o país e sobre a Ilha de Chios.
Cidade/País: Ilha de Chios – Grécia
Moeda: Euro
Língua: Grego
Quando você foi: Janeiro a Março de 2011
Lugar preferido: São vários! O país inteiro é muito especial, a cultura rica demais. Mas sem poder sair do clichê preciso citar a Acrópolis e o centro histórico de Atenas. Sou apaixonada por história e aquele lugar é mágico demais.
Parada obrigatória: Em Chios, as praias, o porto, o farol, os cafés, o castelo…
Uma curiosidade: Nunca imaginei que a cultura grega fosse tão próxima da turca. Fiquei numa ilha que já pertenceu à Turquia durante muito tempo e as similaridades nas comidas, costumes e cultura em geral são imensas.
Um choque cultural: Os gestos! Aqui a gente balança a cabeça de um jeito pra dizer não, lá é de outro bem diferente. Várias vezes achei que as pessoas estavam concordando comigo quando na realidade estavam dizendo não!
Uma similaridade inesperada: As pessoas, o calor humano! Os gregos são um povo muito legal, querido, atencioso e educado! Sem contar que adoram fazer uma festa!
Dicas importantes: Tire proveito das diferenças e das dificuldades. Use cada momento para aprender um pouco mais, não se abale com pouca coisa e viva cada segundo intensamente!
Um prato: Souvlaki! Simplesmente a melhor comida grega. É o churrasquinho grego (aquele que gira) de porco com batata frita, cebola roxa, tomate, tzatziki (molho a base de iogurte com pepino e hortelã) enrolado num pão pita (tipo árabe). No mais, todas as comidas que provei, doces e salgadas, são maravilhosas.
Uma bebida: Ouzo, bebida típica grega. Ela tem sabor de anis e fica com aspeto leitoso quando a gente coloca gelo. Tinha também um vinho quente com mel que parecia o quentão brasileiro e era delicioso.
O melhor: As pessoas, os lugares, a cultura.
O pior: Às vezes não tinha água quente nos dormitórios da universidade! Apesar de crise ou de qualquer outra coisa, não vejo pontos negativos na Grécia.
Uma pessoa que vai pra Grécia tem que estar preparada para… Tomar um banho de história, de cultura, de lugares lindos, de pessoas incríveis.
Não pode faltar na mala: Energia, curiosidade, vontade, cabeça e coração abertos.

sábado, 31 de março de 2012

व्यक्ति पर एंजेला


Índia??? Essa é a pergunta que eu ouvia toda vez que contava para as pessoas aonde eu estava indo. Era uma surpresa imensa para todos, acredito que seja pela falta de informações sobre o país, sobre seus costumes, hábitos, alimentação, pessoas. A surpresa era da minha parte também, pois pesquisar ou assistir na televisão, não é a mesma coisa que conhecer pessoalmente o lugar. Hoje posso dizer que depois de um mês e meio no país, essa foi a melhor experiência que eu já tive!
Saí de Porto Alegre no dia 25 de dezembro de 2011 e fiquei até 10 de fevereiro de 2012. Foram 13 horas de São Paulo à Turquia e depois mais 6 horas até Delhi. Um choque já na chegada, aeroporto enorme, muito bem estruturado, muitas pessoas, madrugada, sotaque de inglês britânico um pouco diferente, e eu ainda tinha que pegar um ônibus para a cidade onde eu iria ficar, Jalandhar que fica no estado de Punjab. Depois de horas de espera e de muitas tentativas de comunicação, achei dois indianos que me ajudaram muito, com a língua, comida, ônibus, e aí já comecei a perceber um fato que foi bastante novo pra mim, a gentileza, inocência e bondade dos indianos, eles são extremamente acolhedores. 



 Todas as pessoas que eu conheci lá me ajudaram muito, me tratavam como se me conhecessem a tempos  e pra todo problema havia uma solução que para eles era sempre fácil . Há um certo preconceito com mulheres, por exemplo, em alguns lugares que são mais conservadores, há ainda o casamento arranjado, a subordinação delas aos maridos e dotes, mas nas cidades maiores isso quase não existe mais. Para eles era muito estranho que eu, com apenas 19 anos estivesse viajando sozinha, as meninas da minha idade que eu conheci lá disseram que isso é praticamente impossível, e que elas só deixarão a casa dos pais quando se casarem. Enfim, depois de mais 10 horas de viagem pelo transito caótico da Índia, cheguei ao meu destino. Preciso comentar sobre o trânsito. É uma loucura, nunca vi coisa igual, pessoas, carros, animais, carroças, rickshaw (uma carroça de duas rodas puxada pro uma pessoa) e auto rickshaw(mini carro de três rodas), tudo ao mesmo tempo, sem respeitar nenhuma lei, e buzinando loucamente mesmo quando não era necessário. Mas depois de um tempo me acostumei, apesar de sempre bater um medinho na hora de sair de carro! Quem dirige na índia pode dirigir em qualquer lugar do mundo!


       Quando cheguei, membros da Aiesec estavam me esperando e fui levada para uma casa provisória devido a problemas com a casa onde estavam os outros estudantes. No dia seguinte fui levada para a casa de uma família na qual eu fiquei até o fim do intercâmbio. Esperei alguns dias, pois o projeto não tinha começado ainda e nesse meio tempo conheci outros intercambistas, passei o ano novo lá e fui conhecendo um pouco da cultura indiana e alguns lugares também.  A família era incrível! Eles me levaram para conhecer muitos lugares, muitos aspectos da cultura indiana, casamentos, festivais religiosos, ganhei presentes, conheci grande parte da família deles, e aprendi muito. No fim parecia que eles realmente eram minha família e foi muito difícil dar tchau, todos choraram!





Comecei o projeto, no qual eu e mais dois intercambistas, um chinês e um suíço, íamos a escolas falar com crianças e adolescentes sobre assuntos como a cultura de nosso país, meio ambiente, nutrição etc.. O retorno foi ótimo, os alunos nos pediam para voltar sempre, era uma situação nova para eles terem pessoas de outro países lá. Ganhei cartões e muitos presentes deles, além de dar autógrafos, email, telefone. Até hoje me comunico com eles.  Era muito gratificante chegar na escola e ser muito respeitada pelos alunos, ter um bom retorno deles, com certeza a experiência foi tão boa pra eles quanto pra mim. Sobre as escolas, algumas das que fomos tinham uma boa estrutura, mas teve uma em especial que me assustou, pois as salas eram escuras, não tinha luz elétrica, não tinha janelas, não dava pra enxergar o que se escreve no quadro, as salas eram pequenas e tinham mais alunos do que a capacidade das salas. As palestras eram em inglês, pois a maioria dos alunos fala esse idioma, alguns menos dos que os outros, mas sempre havia um professor disponível caso alguém não entendesse alguma coisa. Além do inglês, eles também falam híndi que é o oficial da Índia e o punjabi, que é a língua do estado; o país possui em torno de 26 línguas.
Sobre a comida, eu achei que seria um grande problema para me adaptar, mas  depois de um tempo me acostumei, com a comida super apimentada e muito boa!!! Pelo fato da vaca ser um animal sagrado na religião, eles não comem esse tipo de carne e havia o fato também de que,  a família em que fiquei era vegetariana portanto, grande parte da minha estadia eu não comei nenhum tipo de carne, e por incrível que pareça, não me fez falta, pelo contrário eu gostei muito da culinária indiana.





     Conheci muitos lugares incríveis, como o Golden Temple (templo de ouro) em Amritsar, a cidade de Chandigard que foi o lugar mais limpo que eu vi na Índia, eu chamava de cidade verde, conheci o Taj Mahal, lindo, e uma cidade que eu gostei muito, MCleod gang, onde está o templo do Dalai Lama; é uma cidade um pouco diferente, o povo é uma mistura de indiano com tibetano, a culinária também e a paisagem é linda, com as montanhas do Himalaia ao seu redor. Também tive a oportunidade de ir para a fronteira com o Paquistão, Wagah Border, onde há uma cerimônia de retirada de bandeiras dos países. Depois de todos os lugares que fui, é muito perceptível o quanto religiosos eles são, têm um respeito enorme por seus deuses, há muitos templos onde é necessário tirar o sapatos, cobrir a cabeça e oferecer alguma coisa aos deuses. Outra coisa que eu aprendi lá é sobre uma das religiões, a SIKH, pois a família em que eu estava morando era dessa religião; é fácil reconhecer os homens pois eles usam turbantes, já os hindus não, os dois têm princípios e crenças diferentes.



Meu aprendizado, meu crescimento pessoal foi imenso. Eu já tinha feito um intercâmbio, mas nada se compara a essa viagem. A sensação de estar contribuindo é ótima, me emocionei muito com os alunos, que apesar de toda dificuldade no meio em que vivem, estavam sempre dispostos a aprender mais. Foi uma experiência inesquecível, aprendi muito sobre a cultura indiana e agora passei a admirá-la. Pelo conhecimento, experiência e amizades, o fato de estar em um lugar com cultura e língua totalmente diferentes com certeza acrescentou muito na minha vida. No final do programa eu não queria mais voltar, teria ficado lá por mais tempo, mas já estou planejando minha próxima viagem à Índia para visitar todas as pessoas maravilhosas que eu conheci lá e conhecer o resto do país que também me encanta muito. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Gil na Colômbia!

"Colombia es pasion!" Esse é o slogan do país e talvez a única coisa que eu soubesse quando desembarquei no Aeroporto El Dorado em Bogotá no dia 5 de janeiro de 2012. Eu nunca tinha pensado em ir para o país e, na verdade, ficava meio preocupado com as notícias que chegam de lá, geralmente sobre narcotráfico, guerrilhas e por aí vai... Mas como o Programa Cidadão Global serve também para conhecermos a realidade de um país, convenci meus pais e me mandei! E talvez tenha sido a melhor decisão que já tomei!
Logo na chegada deu para ver que a experiência seria incrível. Dez membros da AIESEC Javeriana e outros trainees estavam me esperando, com bandeiras do Brasil, cartazes, balões e um pandeiro! Não conhecia nenhum deles, mas sabia que todos já eram meus amigos e eram muito pilhados!


Como eu cheguei na primeira semana do ano, o lugar onde iria trabalhar e o todo pessoal da Aiesec estavam de férias e por isso pude conhecer muita gente e muitos lugares da cidade. Um desses lugares foi a Catedral de Monserrate que fica em cima de um morro. Bogotá já tem 2600m de altitude então vocês imaginam o “sofrimento” de subir esse morro a pé, mas deem uma olhada na foto e em todo o visual. Valeu muito a pena! 






Depois de uma semana de folga e diversão, o trabalho começou. E a minha mudança também. O trabalho da ONG em que fui trabalhar é construir casas populares de 25m² nos lugares mais pobres do país. Logo na primeira semana na ONG fomos visitar alguns desses lugares, nos arredores de Bogotá (Altos de La Florida), e realmente a situação é bem complicada. Muitas pessoas não tinham água, nenhum saneamento básico, nem nada. Nunca vi, nem na televisão, pessoas vivendo em condições tão precárias.


  Ainda assim dava gosto de estar lá, porque as pessoas da ONG traziam felicidade e esperança àquela gente, e eu era uma daquelas pessoas. Ver as crianças sorrindo só pela nossa presença é algo que não sei explicar com palavras.
Isso deu muita força a todos os trainees para trabalharmos muito pilhados. As primeiras casas a serem construídas não demoraram muito para acontecer, mas não foram em Bogotá. A primeira parada foi na periferia de Pereira (não era tão pobre como em Altos de La Florida), onde fomos construir 3 casas em um domingo de chuva. A viagem até lá demorou muito, a Colômbia é um país muito montanhoso e nossa Kombi estragou no meio da estrada, numa altitude de mais de 3 mil metros. Depois eu soube que passar trabalho nas viagens era comum, e isso deixava os voluntários ainda mais unidos. A construção das casas foi bem cansativa, mas excelente. Começamos às 7 horas da manhã e às 19 horas estamos entregando as chaves das casas às famílias contempladas. A emoção nessa hora também foi bem grande. 




Depois de lá, houve mais construções, sempre com emoções a flor da pele. O trabalho nessa ONG, a Fundación Catalina Muñoz, era de segunda a quinta das 8h as 17h30 e depois disso tinha aulas de gastronomia, danças e português que eram ministradas pelos trainees aos demais voluntários da ONG. Mas, além disso, nas sextas-feiras eu trabalhava em uma espécie de orfanato/febem do governo colombiano. As crianças eram levadas para lá por terem problemas em casa, e enquanto a justiça não decidia seus futuros, elas permaneciam lá, “presas”. Os aiesecos da @Javeriana perguntaram se eu não queria dar aula de futebol para as crianças, já que ter um professor brasileiro faz toda a diferença para crianças de 7 a 14 anos. Essa experiência também foi muito legal, aprendi que realmente é difícil correr na altitude e mais ainda tomar conta de uma turma de 30 crianças.





Como todo trabalhador merece umas férias, e o Caribe era logo ali, eu e os outros trainees, que foram as pessoas mais incríveis que convivi em todo intercâmbio, resolvemos passar uma semana nas praias paradisíacas e no calor do norte da Colômbia. As festas já eram rotineiras em Bogotá, imaginem no litoral caribenho?
Bom galera, esse é um resumo do meu X. É impossível escrever tudo que se passou! Tanto é que eu quase nem falei dos outros trainees, com os quais criei vínculos de amizade que vão durar para sempre e que foram minha família lá. Faltou também pessoas da @Javeirana que me deram a oportunidade de impactar diretamente a sociedade o que me ajudou a me desenvolver muito. Obrigado a todos e graças a esse intercâmbio agora eu sei muitas coisas desse país sul-americano, inclusive uma que eu já sabia: “Colombia es pasión!”



quinta-feira, 15 de março de 2012

Luisa na Noruega.


Alguém me disse que a gente só se conhece por comparação. Só se existe em grupo. Olho uma pessoa de cabelo curto, olho meu cabelo, concluo: aquela pessoa é diferente de mim. Sou diferente dela.


Em janeiro e fevereiro de 2012, fui pra Noruega fazer trabalho voluntário. O time (de seis pessoas) ia a escolas dar workshops pra crianças e adolescentes sobre direitos humanos, multiculturalidade, tolerância, nossas próprias culturas. Uma coisa meio EduAction. Volta e meia, promovíamos atividades extracurriculares, tipo aulas de culinária.

Pra minha idade, eu achava que tinha feito bastante coisa. Tenho 20-pra-21 anos, trabalho como colunista da página final da revista Capricho (não, não é sobre Justin Bieber) e tô “en train de” publicação do meu segundo livro. Estudo Relações Internacionais e Ciências Sociais. Na Noruega (o IDH mais alto do mundo), num time de seis pessoas, uns workshops com umas crianças, seis semanas, todo mundo fala inglês. Pelamordedeus, quão difícil podia ser?



Foram seis semanas que inverteram tudo que eu sabia. Como trabalhávamos em dois times de três, o meu time tinha uma pessoa de cada continente. Quando fazíamos o planejamento, era engraçado como cada um tinha um conceito completamente invertido do que uma aula deveria ser, como ela poderia ser divertida, como um professor deve se comportar, quanto os alunos deviam falar. Eu me lembro de uma vez em que o chinês estava “hosting” um jogo com as crianças e, como eu só estava assistindo, me sentei no chão pra assistir. A russa correu em minha direção com os olhos arregalados perguntando se eu tava bem. Ué, claro que sim. Foi aí que eu ouvi: mas um professor sentar no chão…? Onde já se viu? Eu nem me considerava professora daquelas crianças e menos ainda achava um problema me sentar no chão.




Acho que o que mais aprendi foi a ouvir os sinais dos outros. Demorei uma semana pra perceber que a taiwanesa, minha colega de quarto, não entendia o que eu (ou um dos nossos hosts canadense) falava. Sempre achei muito normal isso de “se colocar na posição do outro” e blablabla, mas não é simples assim. Eu não posso simplesmente dizer “e se eu fosse uma taiwanesa de 18 anos de idade, como eu lidaria?”. Eu ia preencher os buracos que não vivi com coisas brasileiras. Pra brasileiros, é normal começar a gesticular e se meter na conversa sem entender. É meio arrogante “se colocar no lugar do outro”. Custei essa uma semana pra perceber que quando tinha um diálogo se desenvolvendo em inglês, a taiwanesa não ficava quieta por timidez. Ela não sabia do que estava sendo falado. Às vezes, perguntavam A, ela respondia sobre Y. Aliás, pra começo de conversa, ela tava lidando com um idioma do outro lado do mundo. Foi aí que eu comecei a parar de corrigi-la mentalmente sempre que ela dizia “close/open the light” (fechar/abrir a luz (pra apagar e acender), que em mandarim faz todo o sentido). Uma observação engraçada: eu mal tentei falar frases simples em mandarim porque sabia que estaria pronunciando muito errado.



A cidade onde eu fiquei é a maior cidade universitária da Noruega, ou seja, intercambistas não faltaram. Festas não faltaram. Gente se interessando e dando as dicas do que fazer e onde, sempre tive. Eu, a russa e a taiwanesa uma vez resolvemos fazer uma “girls night”. Foi exatamente igual às girls nights que eu tenho com as minhas amigas porto-alegrenses. Chocolate, sorvete, esmalte de unha, fofoca, comédias românticas, vodca (eu podia falar essa, mãe?) e por aí vai. Uma piadinha interna de nós três era sobre como barreiras culturais eram só uma brincadeira de mau-gosto. Hoje, nem acho que seja tanto uma brincadeira. As pessoas confundem “cultura” com “pessoa”. Todo mundo achava que eu ia passar trabalho com amizades. “Os noruegueses são muito frios”, eu ouvia. Mas passei mais trabalho me despedindo de tanta gente que eu sabia que não ia ver tão cedo.



Um time de seis pessoas do mundo inteiro, e eu sendo a única latina, não é exatamente fácil. Nem tudo foi margaridas douradas do campo, óbvio. Como falei, não dá nem pra culpar a nacionalidade de ninguém. É uma questão de lidar com pessoas. Aprendi muito nesse sentido e, sobre comunicação, então, nem se fala. Alguns chegavam duas, três horas atrasados e insistiam: they didn’t do anything wrong. E haja comunicação pra provar por A+B que o time inteiro pensa diferente. O time inteiro de pessoas, não nacionalidades. Mas dá pra resolver. Teve dois ou três momentos nos quais tudo que eu quis fazer foi sentar e chorar. Uma menina que coordenava o projeto chegou a se demitir por causa de um dos intercambistas.




Mas perdi a conta da quantidade de vezes que eu chorei de rir. Chorar de rir mesmo, de fazer o olho arder e tudo. Mergulhei no oceano gelado (minha casa era do ladinho da costa) e não morri no choque térmico; comi o melhor chocolate do mundo (dane-se a Suíça); provei culinária de umas nove nações; caí na neve quase todos os dias (e achei muito engraçado); provei presunto de rena e linguiça de cavalo; aprendi a diferença entre alce, rena e veado; vi um alce no meio do trânsito; dormi em aeroporto e em trem; falei de brazilian wax tantas vezes; achei neve muito linda e muito deprimente; arranjei onde ficar em uns trinta países; conheci um país com um jeito de funcionar todo diferente; ganhei abraços de gente que odeia contato físico; tive que imitar posições do kama sutra numa festa de aniversário; me peguei falando “ah, hoje nem tá tão frio, tá só zero grau”; fui a um carnaval gay pra ver as peruas escandinavas cheias do glitter; ganhei tantas histórias pra contar que nem preciso mais inventar na hora de escrever; senti saudades do sol e da fadinha que leva a minha roupa suja do banheiro. Acabei team leader da coisa toda e resolvi problemas que eu não sonhava ter. E me senti bem por isso. Eu não sabia que eu conseguia lidar com certas situações, com um time com motivações absurdamente diferentes. Experimentei um país e me experimentei ao mesmo tempo.



Eu me lembro que na minha entrevista, perguntaram por que eu queria estar naquele projeto. Usei muito a palavra “contribuir”. Queria contribuir. E, por mais que tivesse problemas no time, entregamos um maravilhoso projeto. Contribuí sim. Nós pedíamos às crianças feedback sobre os workshops, em post its, anônimos e tal. Li tantos (mas tantos) elogios, perguntas se a gente iria voltar, pedidos de “me adiciona no Facebook”, algumas crianças escreviam cartas enormes em norueguês (porque tinham dificuldade com inglês). Vi meus colegas de time se desenvolverem. O garoto chinês, nas primeiras semanas, mal conseguia dar ideias, aceitava tudo que eu dizia e mal conversava. Pela terceira semana, já dava pra ver a diferença; nele, nos meus colegas de time. E você vê que a diferença não foi só nas crianças, mas em tudo.

Eu não queria voltar pra Porto Alegre porque sabia que a Porto Alegre que eu ia encontrar não era a mesma que eu deixei. Não faria nada diferente nessas seis semanas. Se fosse, seria chegar antes.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Bruna na Turquia!!!


  
Sabah sevgili dünya vatandaşı İyi!

(Bom dia meus queridos Cidadãos Globais!!)

Que tal viajar para um lugar onde as pessoas falam uma lingua totalmente estanha, que possuem uma cultura muito rica e diferente do que estamos acostumados a ver, para um lugar onde você apenas conhece através de seus livros de história mundial?

Estamos falando da Turquia é claro, mais especificadamente a cidade de Istambul. Para quem não sabe Istambul é a cidade de Bizâncio e Constantinopla, marcada ao mesmo tempo por muitos séculos de história e pela pós-modernidade em que vivemos. Ela é hoje a 5º maior cidade do mundo, tendo uma população de maioria islâmica. Voce quêr saber um pouco mais sobre as oportunidades dessa cidade cheia de vida? Leia a experência da Bruna e se torne um Cidadão Global voce também! 

""Tudo começou em setembro de 2010, quando percebi que eu não queria passar o verão inteiro em Porto Alegre trabalhando em um estágio que eu não estava curtindo mais, que já não estava me acrescentando muita coisa. Então fiquei sabendo das incrições para o cidadão global da AIESEC. Como eu já conhecia algumas pessoas que faziam parte da AIESEC, não era completamente novo pra mim. Passei na seleção e me vi procurando vagas de trabalhos sociais em diversas partes do mundo, porém uma vaga em Istanbul foi a que mais me chamou atenção. Era uma vaga para dar aulas sobre o Brasil nas aulas de inglês do Ensino Médio em escolas turcas. A acomodação era em casa de família, tudo o que eu queria :)  Depois de muito pensar, de muito esperar, ir atrás, finalmente eu estava com minha vaga garantida na maior cidade da Turquia. Confesso que nunca havia me passado pela cabeça em ir para a TURQUIA. Mal tive tempo de me preparar para a viagem, largar o estágio, arrumar a mala e eu já estava indo no avião.. cheia de dúvidas, de incertezas, com um frio na barriga pelo inesperado, pelo diferente que estava por vir... o medo da saudade da família, do namorado, das minhas gatas... E depois de 24 horas viajando, com uma das maiores amigdalites que já tive na vida, eu cheguei em solo turco. Felizmente eu estava com uma menina de Santa Maria, que também estava indo para o mesmo projeto que eu, o que amenizou muito a apreensão de chegar sozinha lá. Essa menina veio a se tornar uma amigona de verdade pra mim durante a viagem, e é até os dias atuais. 


A primeira semana com certeza foi a mais impactante.. a chegada na casa de uma família desconhecida, a chegada na escola, o inglês enferrujado, as primeiras aulas, andar pela rua sem entender nenhuma placa se quer, inclusive entrar no banheiro masculino achando que era o feminino...o frio de rachar a cara.. Fiquei esperando a neve todo o tempo que fiquei por lá.. mas caíram floquinhos apenas um dia..  (o que foi suficiente para me emocionar e sair pra rua que nem criança) e por aí vai. Porém na segunda semana eu já estava encantada. A beleza da cidade, das mesquitas, os lugares históricos antiguíssimos que havia estudado na escola, pois afinal, eu estava na antiga Constantinopla, a cidade estava cheia de história muito antiga.  O jeito diferente das pessoas, a comida completamente diferente, e sem falar no carinho do povo turco. A Turquia é um lugar muito peculiar, pois é o país muçulmano mais ocidentalizado do mundo. Istanbul em especial, pois a cidade fica bem na divisa com o continente europeu, o que faz dela uma cidade muito mista e rica culturalmente (metade da cidade fica na Europa e metade na Ásia, separada por um canal de mares. Mas é tudo igual, de um lado ou de outro, é só uma cidade cortada por um ''rio'').       



Fui imensamente bem tratada por essa primeira família, ganhei presentes, me levaram pra conhecer muitos lugares.. na escola que eu estava trabalhando, os alunos vinham nos receber com curiosidade e simpatia, também ganhei um presentinho de um deles. Infelizmente tive que trocar de família e escola depois de duas semanas, pois fazia parte do programa... três escolas e três famílias diferentes, duas semanas em cada uma.. Porém tive muita sorte, pois as três famílias foram ótimas comigo... me acolheram muito bem.. cada vez que eu tinha que ir embora eu começava a chorar. E sim, todas as famílias que me hospedaram eram muçulmanas, mas nunca vi nenhum deles rezar, ou usar lenços, ou ir na mesquita, apenas quando eu ficava pedindo o tempo todo (sim eu queria entrar em todas sempre, eram lindas). A imagem de islamismo pras pessoas daqui é muito distorcida... a grande maioria não sabe que existe essa religião sem o radicalismo. 





Durante o tempo que fiquei lá conheci muita gente de diversos lugares do mundo. Pois o projeto reunia voluntários de todos os lugares, e nos reuníamos nos finais de semana. Não tive Natal, pois não existe essa comemoração no islamismo.. até tinha uns Papais Noéis e tal, mas isso se remetia ao final de ano pra eles. Nas festas de ano novo alguns colocaram chapéus de Papai Noel (bem estranho hahaha). Fiquei meio triste porque estava longe, mas confesso que nem fiquei pensando muito nisso. No Reveillon, o pessoal da AIESEC Istanbul fez uma Home Party para nós trainees.

Os dias foram passando e eu já me virava sozinha. Pegava ônibus, ferry boat, metrô. Me perdia, me achava. As vezes não achava quem falasse inglês direito e ia na linguagem de gestos mesmo. Durante meus dias na Turquia comi Kebab que nem se toma água. Depois não aguentava mais sentir o cheiro. Senti falta do arroz com feijão. Agora eu sinto falta do cheiro do kebab.




O costume que mais demorei a me adaptar foi o de deixar os calçados na porta..eu sempre me atrapalhava na hora de tirar e colocar os sapatos. E o mais engraçado era em festas em casa.. todo mundo arrumado pra cima e de meia nos pés. Porém é um costume bastante saudável. Nas minhas últimas duas semanas eu fiquei na casa de um amigo turco voluntário da AIESEC. Ele ofereceu para mim e outra menina de Porto Alegre, que também estava por lá, duas semanas de acomodação. Nesses últimos dias andei muito por tudo.. pois o trabalho nas escolas já havia acabado e aproveitei para conhecer o máximo possível dos lugares que eu ainda não tinha ido.. palácios de sultões, museus, mesquitas, mercados públicos (muitasss compras), temperos, chás. Eu tinha vontade de trazer tudo comigo..  




E não podia ser diferente, eu voltei pra casa chorando no avião. Pois eu vi que a partir daquele momento, eu já era uma pessoa diferente.. que apesar de terem passado apenas dois meses, a experiência me pareceu muito mais. Eu havia vivido lá momentos muito especiais, conheci pessoas muito especiais. Ás vezes quando lembro de Istanbul, me parece um sonho. Pois foi tudo tão diferente, tão louco, aqueles lugares históricos maravilhosos, que nem os olhos acreditam. O carinho que recebi de alunos e professores nas escolas, dos novos amigos, das famílias, o reconhecimento é que faz a diferença. Eu lembro que um professor de história da segunda escola que trabalhei, no meu último dia, veio e falou pra mim: "Bruna, you really did a good job here with the students, I´m so proud of you''. Também no meu último dia com a segunda família, com o meu pai turco experimentando a cachaça que eu tinha dado, ele disse (não vou me lembrar das palavras em inglês): ''Bruna, quero aproveitar que estou aqui experimentando essa bebida brasileira e queria dizer que eu e minha família ficamos muito satisfeitos em te conhecer, e que nossas portas vão estar sempre abertas pra você e pra sua família''. ÓBVIO que eu comecei a chorar.. Mas é nesses momentos que a gente vê que TUDO valeu a pena. Que tu conseguiu fazer a diferença em pequenas coisas. Hoje sinto falta de lá quase todos os dias, fico lembrando dos momentos que passei lá um ano atrás.



Posso dizer que a experiência como Cidadã Global foi uma das coisas que mais fez a minha vida emocionante até agora, se não foi a mais. Pois aprendi a ser muito mais paciente e compreensiva, e que apesar de eu estar no outro lado do mundo, em um lugar diferente, com uma cultura diferente, as pessoas são, no fim, exatamente iguais, com os mesmos anseios, tristezas, felicidades e paixões, como qualquer pessoa no mundo. E creio que essa compreensão ainda falta na maioria das pessoas. Eu acho que todo mundo tinha que ter uma experiência assim pelo menos uma vez na vida."