segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Bruna na Turquia!!!


  
Sabah sevgili dünya vatandaşı İyi!

(Bom dia meus queridos Cidadãos Globais!!)

Que tal viajar para um lugar onde as pessoas falam uma lingua totalmente estanha, que possuem uma cultura muito rica e diferente do que estamos acostumados a ver, para um lugar onde você apenas conhece através de seus livros de história mundial?

Estamos falando da Turquia é claro, mais especificadamente a cidade de Istambul. Para quem não sabe Istambul é a cidade de Bizâncio e Constantinopla, marcada ao mesmo tempo por muitos séculos de história e pela pós-modernidade em que vivemos. Ela é hoje a 5º maior cidade do mundo, tendo uma população de maioria islâmica. Voce quêr saber um pouco mais sobre as oportunidades dessa cidade cheia de vida? Leia a experência da Bruna e se torne um Cidadão Global voce também! 

""Tudo começou em setembro de 2010, quando percebi que eu não queria passar o verão inteiro em Porto Alegre trabalhando em um estágio que eu não estava curtindo mais, que já não estava me acrescentando muita coisa. Então fiquei sabendo das incrições para o cidadão global da AIESEC. Como eu já conhecia algumas pessoas que faziam parte da AIESEC, não era completamente novo pra mim. Passei na seleção e me vi procurando vagas de trabalhos sociais em diversas partes do mundo, porém uma vaga em Istanbul foi a que mais me chamou atenção. Era uma vaga para dar aulas sobre o Brasil nas aulas de inglês do Ensino Médio em escolas turcas. A acomodação era em casa de família, tudo o que eu queria :)  Depois de muito pensar, de muito esperar, ir atrás, finalmente eu estava com minha vaga garantida na maior cidade da Turquia. Confesso que nunca havia me passado pela cabeça em ir para a TURQUIA. Mal tive tempo de me preparar para a viagem, largar o estágio, arrumar a mala e eu já estava indo no avião.. cheia de dúvidas, de incertezas, com um frio na barriga pelo inesperado, pelo diferente que estava por vir... o medo da saudade da família, do namorado, das minhas gatas... E depois de 24 horas viajando, com uma das maiores amigdalites que já tive na vida, eu cheguei em solo turco. Felizmente eu estava com uma menina de Santa Maria, que também estava indo para o mesmo projeto que eu, o que amenizou muito a apreensão de chegar sozinha lá. Essa menina veio a se tornar uma amigona de verdade pra mim durante a viagem, e é até os dias atuais. 


A primeira semana com certeza foi a mais impactante.. a chegada na casa de uma família desconhecida, a chegada na escola, o inglês enferrujado, as primeiras aulas, andar pela rua sem entender nenhuma placa se quer, inclusive entrar no banheiro masculino achando que era o feminino...o frio de rachar a cara.. Fiquei esperando a neve todo o tempo que fiquei por lá.. mas caíram floquinhos apenas um dia..  (o que foi suficiente para me emocionar e sair pra rua que nem criança) e por aí vai. Porém na segunda semana eu já estava encantada. A beleza da cidade, das mesquitas, os lugares históricos antiguíssimos que havia estudado na escola, pois afinal, eu estava na antiga Constantinopla, a cidade estava cheia de história muito antiga.  O jeito diferente das pessoas, a comida completamente diferente, e sem falar no carinho do povo turco. A Turquia é um lugar muito peculiar, pois é o país muçulmano mais ocidentalizado do mundo. Istanbul em especial, pois a cidade fica bem na divisa com o continente europeu, o que faz dela uma cidade muito mista e rica culturalmente (metade da cidade fica na Europa e metade na Ásia, separada por um canal de mares. Mas é tudo igual, de um lado ou de outro, é só uma cidade cortada por um ''rio'').       



Fui imensamente bem tratada por essa primeira família, ganhei presentes, me levaram pra conhecer muitos lugares.. na escola que eu estava trabalhando, os alunos vinham nos receber com curiosidade e simpatia, também ganhei um presentinho de um deles. Infelizmente tive que trocar de família e escola depois de duas semanas, pois fazia parte do programa... três escolas e três famílias diferentes, duas semanas em cada uma.. Porém tive muita sorte, pois as três famílias foram ótimas comigo... me acolheram muito bem.. cada vez que eu tinha que ir embora eu começava a chorar. E sim, todas as famílias que me hospedaram eram muçulmanas, mas nunca vi nenhum deles rezar, ou usar lenços, ou ir na mesquita, apenas quando eu ficava pedindo o tempo todo (sim eu queria entrar em todas sempre, eram lindas). A imagem de islamismo pras pessoas daqui é muito distorcida... a grande maioria não sabe que existe essa religião sem o radicalismo. 





Durante o tempo que fiquei lá conheci muita gente de diversos lugares do mundo. Pois o projeto reunia voluntários de todos os lugares, e nos reuníamos nos finais de semana. Não tive Natal, pois não existe essa comemoração no islamismo.. até tinha uns Papais Noéis e tal, mas isso se remetia ao final de ano pra eles. Nas festas de ano novo alguns colocaram chapéus de Papai Noel (bem estranho hahaha). Fiquei meio triste porque estava longe, mas confesso que nem fiquei pensando muito nisso. No Reveillon, o pessoal da AIESEC Istanbul fez uma Home Party para nós trainees.

Os dias foram passando e eu já me virava sozinha. Pegava ônibus, ferry boat, metrô. Me perdia, me achava. As vezes não achava quem falasse inglês direito e ia na linguagem de gestos mesmo. Durante meus dias na Turquia comi Kebab que nem se toma água. Depois não aguentava mais sentir o cheiro. Senti falta do arroz com feijão. Agora eu sinto falta do cheiro do kebab.




O costume que mais demorei a me adaptar foi o de deixar os calçados na porta..eu sempre me atrapalhava na hora de tirar e colocar os sapatos. E o mais engraçado era em festas em casa.. todo mundo arrumado pra cima e de meia nos pés. Porém é um costume bastante saudável. Nas minhas últimas duas semanas eu fiquei na casa de um amigo turco voluntário da AIESEC. Ele ofereceu para mim e outra menina de Porto Alegre, que também estava por lá, duas semanas de acomodação. Nesses últimos dias andei muito por tudo.. pois o trabalho nas escolas já havia acabado e aproveitei para conhecer o máximo possível dos lugares que eu ainda não tinha ido.. palácios de sultões, museus, mesquitas, mercados públicos (muitasss compras), temperos, chás. Eu tinha vontade de trazer tudo comigo..  




E não podia ser diferente, eu voltei pra casa chorando no avião. Pois eu vi que a partir daquele momento, eu já era uma pessoa diferente.. que apesar de terem passado apenas dois meses, a experiência me pareceu muito mais. Eu havia vivido lá momentos muito especiais, conheci pessoas muito especiais. Ás vezes quando lembro de Istanbul, me parece um sonho. Pois foi tudo tão diferente, tão louco, aqueles lugares históricos maravilhosos, que nem os olhos acreditam. O carinho que recebi de alunos e professores nas escolas, dos novos amigos, das famílias, o reconhecimento é que faz a diferença. Eu lembro que um professor de história da segunda escola que trabalhei, no meu último dia, veio e falou pra mim: "Bruna, you really did a good job here with the students, I´m so proud of you''. Também no meu último dia com a segunda família, com o meu pai turco experimentando a cachaça que eu tinha dado, ele disse (não vou me lembrar das palavras em inglês): ''Bruna, quero aproveitar que estou aqui experimentando essa bebida brasileira e queria dizer que eu e minha família ficamos muito satisfeitos em te conhecer, e que nossas portas vão estar sempre abertas pra você e pra sua família''. ÓBVIO que eu comecei a chorar.. Mas é nesses momentos que a gente vê que TUDO valeu a pena. Que tu conseguiu fazer a diferença em pequenas coisas. Hoje sinto falta de lá quase todos os dias, fico lembrando dos momentos que passei lá um ano atrás.



Posso dizer que a experiência como Cidadã Global foi uma das coisas que mais fez a minha vida emocionante até agora, se não foi a mais. Pois aprendi a ser muito mais paciente e compreensiva, e que apesar de eu estar no outro lado do mundo, em um lugar diferente, com uma cultura diferente, as pessoas são, no fim, exatamente iguais, com os mesmos anseios, tristezas, felicidades e paixões, como qualquer pessoa no mundo. E creio que essa compreensão ainda falta na maioria das pessoas. Eu acho que todo mundo tinha que ter uma experiência assim pelo menos uma vez na vida."




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