Bom dia meus queridos Cidadãos Globais!!
Quando pensamos em trabalho voluntario no exterior nossas mentes se voltam para países da África, América Latina, Ásia etc, certo!? Mas será que países desenvolvidos e ricos não apresentam oportunidades para este tipo de atividades? Descubra isto e muito mais através do depoimento da Cris!
"Me inscrevi para o cidadão global em Abril de 2011, não sabia muito o que eu queria da vida, tava meio entediada, por isso eu decidi fazer uma coisa diferente... na época, uma amiga minha trabalhava no time da AIESEC que cuidava do Cidadão Global, viu a minha situação e me incentivou um monte a ir viajar, pois, ela mesmo ja tinha feito um voluntariado na Turquia, através da AIESEC e tinha amado a experiencia.De Abril a junho eu procurei vagas no site, tava tudo certo pra eu ir pra Alemanha, deu tudo errado e acabei indo parar na Itália, na cidade de Nápoles. Essa foi a minha primeira viagem sozinha, sozinha, então, pra mim, ela tem um significado muito grande!! Bom, mas continuando, eu cheguei na Itália finalmente, depois de alguns dias de viagem e, tudo da errado de novo: eu peguei o trem errado (que, por sorte, ia pro mesmo lugar, mas que me custou 30 euros a mais), quebrei minha mala e não conseguia falar com o Domenico, o responsável por mim em Nápoles. Mas tudo tem um lado bom, eu posso dizer que essa foi a unica parte triste da minha viagem! Depois disso, foi tudo lindo!!
Quando eu disse pra alguns amigos meus que eu ira para a Itália, para ser voluntaria, muita gente me disse: "mas você está indo para um país de primeiro mundo ser voluntaria, olha o país em que você vive, o Brasil precisa muito mais de voluntários do que a Itália!" Isso me incomodou um pouco e eu conversei sobre isso com a diretora de intercâmbios de envio, na época, e ela me disse que se a sociedade italiana fosse tão perfeita, se esta sociedade realmente não precisasse de ajuda, não haveria vagas de intercambio voluntario para lá. Sendo assim, eu fui pra Nápoles para trabalhar em um projeto ambiental, criado por um dos escritórios da AIESEC de lá, o escritório Napoli Parthenope. Para quem não sabe, Nápoles é o berço da máfia napolitana e, pelo o que me falaram, a mafia "vendia" espaços para que outros países despejassem seus dejetos nos aterros cidade. Com isso, os aterros da cidade e da região ficaram lotados e, hoje, os napolitanos não tem mais onde colocar seu lixo, por isso, a cidade é imunda, as pessoas fazem montanhas de lixo nas ruas, ou acabam queimando o lixo, o que é ainda pior.Para tentar mudar essa situação, ou para, pelo menos fazer alguma coisa ao invés de ficar só reclamando, os AIESECos de lá criaram o projeto "make change nea-polis!", algo como faça a diferença cidade nova, em uma tradução livre, que visava achar soluções não só para o problema do lixo, mas para outros problemas que os napolitanos enfrentam, com o trânsito. Então, durante 6 semanas, eu trabalhei e morei com mais 9 pessoas de diferentes partes do mundo, nós fomos divididos em 3 grupos, um para cada problema: eu, o egípcio, uma das russas e a ucraniana, ficamos responsáveis por apontar soluções para o problema do lixo; a outra brasileira, a sueca e o inglês eram responsáveis pelos problemas de transito e a outra russa, a polonesa e a eslovaca por apontar o que podia ser feito para diminuir o consumo de energia da cidade. Muita gente me pergunta se as soluções que a gente achou foram ou estão sendo utilizadas, a resposta é: não sei! Eu lembro que durante o nosso projeto, a AIESEC de lá fechou uma parceria com a camara de comércio de Nápoles, talvez eles usem o resultado do nosso trabalho para algo, talvez não, o importante é a sementinha que a gente plantou, de que sim, em todos os lugares do mundo há problemas e que, para todos estes problemas, pode se encontrar alguma solução! O importante é fazer algo para mudar, ao invés de ficar em casa reclamando.
Eu posso dizer que essa experiencia foi incrível, primeiro por que, como eu nunca tinha trabalhado antes, foi a primeira vez que eu tinha que cumprir horário, entregar algo todo dia para o meu project manager (o responsável pelo projeto, meu chefe) e foi um baita aprendizado, quase na marra, eu diria, de como trabalhar em grupo! Tirando o lado profissional, pessoalmente também valeu muito a pena, pois, não me pergunte como, todos nós, intercambistas que moravam e trabalhavam, ou seja, passavam 24h juntos, nos demos muito bem e viramos uma família, criamos laços realmente muito fortes e eu espero ver eles algum dia de novo! Além disso, nós viajamos bastante por toda a Itália e tirando o caos do trânsito e o problema com o lixo, Nápoles é linda!"



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