Índia??? Essa
é a pergunta que eu ouvia toda vez que contava para as pessoas aonde eu estava
indo. Era uma surpresa imensa para todos, acredito que seja pela falta de
informações sobre o país, sobre seus costumes, hábitos, alimentação, pessoas. A
surpresa era da minha parte também, pois pesquisar ou assistir na televisão,
não é a mesma coisa que conhecer pessoalmente o lugar. Hoje posso dizer que
depois de um mês e meio no país, essa foi a melhor experiência que eu já tive!
Saí de Porto
Alegre no dia 25 de dezembro de 2011 e fiquei até 10 de fevereiro de 2012.
Foram 13 horas de São Paulo à Turquia e depois mais 6 horas até Delhi. Um
choque já na chegada, aeroporto enorme, muito bem estruturado, muitas pessoas,
madrugada, sotaque de inglês britânico um pouco diferente, e eu ainda tinha que
pegar um ônibus para a cidade onde eu iria ficar, Jalandhar que fica no estado
de Punjab. Depois de horas de espera e de muitas tentativas de comunicação,
achei dois indianos que me ajudaram muito, com a língua, comida, ônibus, e aí
já comecei a perceber um fato que foi bastante novo pra mim, a gentileza,
inocência e bondade dos indianos, eles são extremamente acolhedores.
Todas as pessoas que eu conheci lá me ajudaram
muito, me tratavam como se me conhecessem a tempos e pra todo problema havia uma solução que
para eles era sempre fácil . Há um certo preconceito com mulheres, por exemplo,
em alguns lugares que são mais conservadores, há ainda o casamento arranjado, a
subordinação delas aos maridos e dotes, mas nas cidades maiores isso quase não
existe mais. Para eles era muito estranho que eu, com apenas 19 anos estivesse
viajando sozinha, as meninas da minha idade que eu conheci lá disseram que isso
é praticamente impossível, e que elas só deixarão a casa dos pais quando se
casarem. Enfim, depois de mais 10 horas de viagem pelo transito caótico da Índia, cheguei ao meu destino. Preciso comentar sobre o trânsito. É uma loucura, nunca vi coisa igual, pessoas, carros, animais, carroças, rickshaw (uma carroça de duas rodas puxada pro uma pessoa) e auto rickshaw(mini carro de três rodas), tudo ao mesmo tempo, sem respeitar nenhuma lei, e buzinando loucamente mesmo quando não era necessário. Mas depois de um tempo me acostumei, apesar de sempre bater um medinho na hora de sair de carro! Quem dirige na índia pode dirigir em qualquer lugar do mundo!
Quando
cheguei, membros da Aiesec estavam me esperando e fui levada para uma casa
provisória devido a problemas com a casa onde estavam os outros estudantes. No
dia seguinte fui levada para a casa de uma família na qual eu fiquei até o fim
do intercâmbio. Esperei alguns dias, pois o projeto não tinha começado ainda e
nesse meio tempo conheci outros intercambistas, passei o ano novo lá e fui
conhecendo um pouco da cultura indiana e alguns lugares também. A família era incrível! Eles me levaram para
conhecer muitos lugares, muitos aspectos da cultura indiana, casamentos, festivais
religiosos, ganhei presentes, conheci grande parte da família deles, e aprendi
muito. No fim parecia que eles realmente eram minha família e foi muito difícil
dar tchau, todos choraram!
Comecei o
projeto, no qual eu e mais dois intercambistas, um chinês e um suíço, íamos a
escolas falar com crianças e adolescentes sobre assuntos como a cultura de
nosso país, meio ambiente, nutrição etc.. O retorno foi ótimo, os alunos nos
pediam para voltar sempre, era uma situação nova para eles terem pessoas de
outro países lá. Ganhei cartões e muitos presentes deles, além de dar autógrafos,
email, telefone. Até hoje me comunico com eles. Era muito gratificante chegar na escola e ser
muito respeitada pelos alunos, ter um bom retorno deles, com certeza a
experiência foi tão boa pra eles quanto pra mim. Sobre as escolas, algumas das
que fomos tinham uma boa estrutura, mas teve uma em especial que me assustou,
pois as salas eram escuras, não tinha luz elétrica, não tinha janelas, não dava
pra enxergar o que se escreve no quadro, as salas eram pequenas e tinham mais
alunos do que a capacidade das salas. As palestras eram em inglês, pois a
maioria dos alunos fala esse idioma, alguns menos dos que os outros, mas sempre
havia um professor disponível caso alguém não entendesse alguma coisa. Além do
inglês, eles também falam híndi que é o oficial da Índia e o punjabi, que é a
língua do estado; o país possui em torno de 26 línguas.
Sobre a comida,
eu achei que seria um grande problema para me adaptar, mas depois de um tempo me acostumei, com a comida
super apimentada e muito boa!!! Pelo fato da vaca ser um animal sagrado na
religião, eles não comem esse tipo de carne e havia o fato também de que, a família em que fiquei era vegetariana
portanto, grande parte da minha estadia eu não comei nenhum tipo de carne, e
por incrível que pareça, não me fez falta, pelo contrário eu gostei muito da
culinária indiana.
Meu
aprendizado, meu crescimento pessoal foi imenso. Eu já tinha feito um
intercâmbio, mas nada se compara a essa viagem. A sensação de estar
contribuindo é ótima, me emocionei muito com os alunos, que apesar de toda
dificuldade no meio em que vivem, estavam sempre dispostos a aprender mais. Foi
uma experiência inesquecível, aprendi muito sobre a cultura indiana e agora
passei a admirá-la. Pelo conhecimento, experiência e amizades, o fato de estar
em um lugar com cultura e língua totalmente diferentes com certeza acrescentou
muito na minha vida. No final do programa eu não queria mais voltar, teria
ficado lá por mais tempo, mas já estou planejando minha próxima viagem à Índia
para visitar todas as pessoas maravilhosas que eu conheci lá e conhecer o resto
do país que também me encanta muito.



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