sábado, 31 de março de 2012

व्यक्ति पर एंजेला


Índia??? Essa é a pergunta que eu ouvia toda vez que contava para as pessoas aonde eu estava indo. Era uma surpresa imensa para todos, acredito que seja pela falta de informações sobre o país, sobre seus costumes, hábitos, alimentação, pessoas. A surpresa era da minha parte também, pois pesquisar ou assistir na televisão, não é a mesma coisa que conhecer pessoalmente o lugar. Hoje posso dizer que depois de um mês e meio no país, essa foi a melhor experiência que eu já tive!
Saí de Porto Alegre no dia 25 de dezembro de 2011 e fiquei até 10 de fevereiro de 2012. Foram 13 horas de São Paulo à Turquia e depois mais 6 horas até Delhi. Um choque já na chegada, aeroporto enorme, muito bem estruturado, muitas pessoas, madrugada, sotaque de inglês britânico um pouco diferente, e eu ainda tinha que pegar um ônibus para a cidade onde eu iria ficar, Jalandhar que fica no estado de Punjab. Depois de horas de espera e de muitas tentativas de comunicação, achei dois indianos que me ajudaram muito, com a língua, comida, ônibus, e aí já comecei a perceber um fato que foi bastante novo pra mim, a gentileza, inocência e bondade dos indianos, eles são extremamente acolhedores. 



 Todas as pessoas que eu conheci lá me ajudaram muito, me tratavam como se me conhecessem a tempos  e pra todo problema havia uma solução que para eles era sempre fácil . Há um certo preconceito com mulheres, por exemplo, em alguns lugares que são mais conservadores, há ainda o casamento arranjado, a subordinação delas aos maridos e dotes, mas nas cidades maiores isso quase não existe mais. Para eles era muito estranho que eu, com apenas 19 anos estivesse viajando sozinha, as meninas da minha idade que eu conheci lá disseram que isso é praticamente impossível, e que elas só deixarão a casa dos pais quando se casarem. Enfim, depois de mais 10 horas de viagem pelo transito caótico da Índia, cheguei ao meu destino. Preciso comentar sobre o trânsito. É uma loucura, nunca vi coisa igual, pessoas, carros, animais, carroças, rickshaw (uma carroça de duas rodas puxada pro uma pessoa) e auto rickshaw(mini carro de três rodas), tudo ao mesmo tempo, sem respeitar nenhuma lei, e buzinando loucamente mesmo quando não era necessário. Mas depois de um tempo me acostumei, apesar de sempre bater um medinho na hora de sair de carro! Quem dirige na índia pode dirigir em qualquer lugar do mundo!


       Quando cheguei, membros da Aiesec estavam me esperando e fui levada para uma casa provisória devido a problemas com a casa onde estavam os outros estudantes. No dia seguinte fui levada para a casa de uma família na qual eu fiquei até o fim do intercâmbio. Esperei alguns dias, pois o projeto não tinha começado ainda e nesse meio tempo conheci outros intercambistas, passei o ano novo lá e fui conhecendo um pouco da cultura indiana e alguns lugares também.  A família era incrível! Eles me levaram para conhecer muitos lugares, muitos aspectos da cultura indiana, casamentos, festivais religiosos, ganhei presentes, conheci grande parte da família deles, e aprendi muito. No fim parecia que eles realmente eram minha família e foi muito difícil dar tchau, todos choraram!





Comecei o projeto, no qual eu e mais dois intercambistas, um chinês e um suíço, íamos a escolas falar com crianças e adolescentes sobre assuntos como a cultura de nosso país, meio ambiente, nutrição etc.. O retorno foi ótimo, os alunos nos pediam para voltar sempre, era uma situação nova para eles terem pessoas de outro países lá. Ganhei cartões e muitos presentes deles, além de dar autógrafos, email, telefone. Até hoje me comunico com eles.  Era muito gratificante chegar na escola e ser muito respeitada pelos alunos, ter um bom retorno deles, com certeza a experiência foi tão boa pra eles quanto pra mim. Sobre as escolas, algumas das que fomos tinham uma boa estrutura, mas teve uma em especial que me assustou, pois as salas eram escuras, não tinha luz elétrica, não tinha janelas, não dava pra enxergar o que se escreve no quadro, as salas eram pequenas e tinham mais alunos do que a capacidade das salas. As palestras eram em inglês, pois a maioria dos alunos fala esse idioma, alguns menos dos que os outros, mas sempre havia um professor disponível caso alguém não entendesse alguma coisa. Além do inglês, eles também falam híndi que é o oficial da Índia e o punjabi, que é a língua do estado; o país possui em torno de 26 línguas.
Sobre a comida, eu achei que seria um grande problema para me adaptar, mas  depois de um tempo me acostumei, com a comida super apimentada e muito boa!!! Pelo fato da vaca ser um animal sagrado na religião, eles não comem esse tipo de carne e havia o fato também de que,  a família em que fiquei era vegetariana portanto, grande parte da minha estadia eu não comei nenhum tipo de carne, e por incrível que pareça, não me fez falta, pelo contrário eu gostei muito da culinária indiana.





     Conheci muitos lugares incríveis, como o Golden Temple (templo de ouro) em Amritsar, a cidade de Chandigard que foi o lugar mais limpo que eu vi na Índia, eu chamava de cidade verde, conheci o Taj Mahal, lindo, e uma cidade que eu gostei muito, MCleod gang, onde está o templo do Dalai Lama; é uma cidade um pouco diferente, o povo é uma mistura de indiano com tibetano, a culinária também e a paisagem é linda, com as montanhas do Himalaia ao seu redor. Também tive a oportunidade de ir para a fronteira com o Paquistão, Wagah Border, onde há uma cerimônia de retirada de bandeiras dos países. Depois de todos os lugares que fui, é muito perceptível o quanto religiosos eles são, têm um respeito enorme por seus deuses, há muitos templos onde é necessário tirar o sapatos, cobrir a cabeça e oferecer alguma coisa aos deuses. Outra coisa que eu aprendi lá é sobre uma das religiões, a SIKH, pois a família em que eu estava morando era dessa religião; é fácil reconhecer os homens pois eles usam turbantes, já os hindus não, os dois têm princípios e crenças diferentes.



Meu aprendizado, meu crescimento pessoal foi imenso. Eu já tinha feito um intercâmbio, mas nada se compara a essa viagem. A sensação de estar contribuindo é ótima, me emocionei muito com os alunos, que apesar de toda dificuldade no meio em que vivem, estavam sempre dispostos a aprender mais. Foi uma experiência inesquecível, aprendi muito sobre a cultura indiana e agora passei a admirá-la. Pelo conhecimento, experiência e amizades, o fato de estar em um lugar com cultura e língua totalmente diferentes com certeza acrescentou muito na minha vida. No final do programa eu não queria mais voltar, teria ficado lá por mais tempo, mas já estou planejando minha próxima viagem à Índia para visitar todas as pessoas maravilhosas que eu conheci lá e conhecer o resto do país que também me encanta muito. 

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