sábado, 19 de maio de 2012

Álvaro no Egito

"Dizem que brasileiro é falante, simpático e fanático por futebol. Podemos até ser tudo isso, mas os egípcios não ficam atrás, não! Depois de 30 horas de viagem eu finalmente chego e avisto ainda de cima o lugar onde eu iria morar por 2 meses. Diferente da maioria das cidades, do alto o Egito é bege. É areia em todo canto e as construções são incrivelmente descoloridas em tons de bege. Antes de continuar contando minha experiência, fui para lá no ano em que ocorreu a Revolução de 25 de Janeiro, quando foi deposto o ditador Hosni Mubarak. Nem preciso dizer que o turismo desde então anda às moscas no país que é o berço da civilização e que um dia já foi um dos mais visitados do mundo. No meu vôo a maioria era composta de egípcios e de outros passageiros que estavam em escala para outros países do Norte da África. Então eu tive a grande visão: as pirâmides. Pedi meu assento na janela pra poder observar a cidade de cima e quando vi as pirâmides, tão pequenas lá de cima, foi a coisa mais linda e também o que botou meus pés no chão. Sim, eu estava no Egito! Eu parecia o único, tirando uma britânica engraçada e barulhenta, animado com aquilo. Todos estavam na santa paz enquanto sobrevoávamos essa maravilha construída pelo homem. Todos com suas caras de quem já viu aquilo tantas vezes que o poder da surpresa e de impressionar já havia passado. Só depois descobri que muitos egípcios, mesmo os cairenses, nascem, crescem e morrem na mesma cidade onde estão as pirâmides sem nunca vê-las. Mais ou menos como ser carioca e não ir ao Cristo Redentor. Acontece. E isso que egípcios pagam preços módicos (mesmo!) para entrar em qualquer lugar! Shame on you, my friends


Cheguei no aeroporto com 4 horas de antecedência, sem telefone de ninguém, apartamento no qual ficaria, nada. Já psicologicamente preparado para dar gorjetas pra tudo (hábito esse que eu perderia junto com a evaporação diária dos meus pounds), pedi um telefone emprestado e consegui explicar minha chegada prematura. Agora era esperar e assim fiz. Sentei-me com meu laptop pra avisar o Brasil que eu tinha chegado e que tudo estava bem. Nisso se senta ao meu lado um homem, de uns 25 anos. Fechei meu laptop, num sinal que julgo ser universal de quem está querendo bater um papo, e começamos a conversar. Deixa eu definir conversa pra vocês: ele não falava inglês, eu não falava árabe. Mas tínhamos a minha companheira de 2 meses de viagem chamada Lonely Planet, que by the way é item de primeira necessidade pra quem for viajar. E assim desenvolvemos uma forma de conversação bizarra em que eu mostrava as fotos dos lugares que eu queria conhecer e ele me falava sobre eles em árabe, naturalmente e como se eu estivesse entendendo. Eu soltava uma ou outra expressão em árabe que eu havia aprendido durante o vôo e assim ficamos um bom tempo. Chegou o pessoal da AIESEC, que ficou conversando com o cara que estava comigo. Só mais tarde descobri que tanto eles conversaram. O cara que agora já era meu amigo tinha dito que era pra eles cuidarem de mim, que eu era muito legal e coisa e tal. É ou não é muito amor ser recebido já assim? Contei esse causo pra exemplificar um pouco como o povo egípcio é. 


Miséria e muita BMW. Sim, o Egito tem mais essa semelhança com o Brasil. O país que têm grande miséria é o mesmo onde se vê a toda hora carros importados passando. Na época que fui o preço da gasolina era cerca de um terço do valor cobrado no Brasil. O resultado são ruas abarrotadas de carros, principalmente de táxis. Pegar um táxi é um capítulo à parte e digno merecedor de um manual. Para os desavisados, o árabe não é escrito com nosso alfabeto e nem os números são iguais. E como eu escrevi no começo do post, esse é o país da barganha. E não conseguir escrever o nome do local que se quer ir nem do preço que se está disposto a pagar exige muito jogo de cintura e paciência na negociação. A dica é algum aplicativo de celular que faça a tradução para o árabe. Uma vez dentro do táxi, esteja com o psicológico preparado para quando você estiver saindo do taxi, pois o motorista que minutos atrás era simpaticíssimo e até te ofereceu um cigarro, pode cobrar um valor mais alto quando chegar no destino. Conte até 5, respire e repita pra si mesmo que vai manter a calma, e então explique qual era o valor acordado. Como em árabe se lê da direita para a esquerda, o 25 que você escreveu na tela do seu celular e mostrou pro taxista pode se tornar um inflacionado 52 ao final da corrida. True story. E nem perca tempo se perguntando onde foi parar o espelho retrovisor do táxi que você pegou. Os táxis pretos, nos quais se barganha, são velhos e muitas vezes perderam seus espelhos retrovisores no caótico trânsito do Cairo. Eu tenho pra mim que eles tiram propositalmente pra passar mais facilmente em espaços ainda menores. Abaixo tem um sem o espelho pra vocês sentirem o drama. A sensação de segurança que dá pegar um táxi desses vocês devem imaginar.



No país que ultimamente tem ficado mais árabe que nunca, os 5 chamamentos para que seja feita a oração em direção à Meca são respeitados por um grande número de pessoas. Uma ativista nos contou que algumas décadas atrás era comum que mulheres usassem shorts no verão, que é super quente. Hoje em dia, isso praticamente não ocorre, pois o risco de represálias que uma mulher pode sofrer é grande. Eu poderia contar diversas histórias, mas vou fazer um apanhado geral sobre alguns aspectos
Diversão: falou em sexta-feira você já deu um pulo aí do outro lado, não é verdade? Mas lá é dia santo e é na quinta-feira que a noite é movimentada. E o que se faz? Que tal ir com os amigos tomar um delicioso chá e fumar narguilé (conhecido localmente como sheesha)? Ou então ir para os mercadinhos que têm em todas as esquinas e ficar lá conversando até de madrugada, bebendo aquela Coca-Cola bem gelada? Pode parecer estranho, mas é bacana porque dá pra conversar bem tranquilamente com os amigos enquanto se vai bicando algum chá ou refrigerante.
Para fugir dos roteiros: parque Al Azhar. Muitas vezes ignorado, esse parque é freqüentado por famílias egípcias. Crianças correndo e casais de namorados formam a paisagem. Aqui foi o pôr do sol mais lindo que vi, pois como fica num nível acima do resto da cidade, pode-se ver o sol caindo no horizonte atrás das Grandes Pirâmides.



Praia: enquanto os endinheirados vão para Sharm el-Sheikh, Dahab é um lugar mais relaxado e acessível. O Egito tem alguns dos melhores locais para se fazer mergulhos e seus corais são mundialmente famosos. Mergulho no Mar Vermelho deve entrar na lista das coisas a se fazer. Mas se não der, um leve mergulho com a máscara de snorkel já te deixa impressionado com a riqueza e o colorido dos corais. Se tudo isso ainda não te convenceu, lá eu fui na melhor festa que estive no Egito. Fim de caso. "


Pra quem se animou de ir pro Egito ou quer ler mais alguns relatos, desabafos, dicas e perrengues, lá vai o jabá pessoal: acessem http://www.alvineasesfinges.wordpress.com.

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