Sempre quando se decide fazer uma viagem – e principalmente um intercâmbio -, o assunto vira pauta familiar, do trabalho, da faculdade e qualquer outro círculo de pessoas do qual o viajante participa. E coisa boa nunca vem, né?! No meu caso, vir pra Índia era sinônimo automático de doença, pobreza, assalto, preconceito e qualquer coisa parecida.
Mas, nada melhor do que ver e viver pra saber se é ou não verdade. Então vamos lá, compartilhar o que eu já confirmei (ou não) desde que cheguei
1. “O trânsito é uma loucura”: claro que depende muito da cidade/bairro/horário. Mas de maneira geral, é um caos. Um caos completo. Não que mude muito em termos de tráfego de grandes cidades brasileiras, mas o maior problema é o barulho e a desordem. Eles buzinam, buzinam, andam na contramão, se batem, enfim. Eu ainda acho que tenho uma chance enorme de ficar surda ou morrer atropelada. Já falei em outro post, mas sinaleiras e faixas de segurança inexistem. Agora imagina isso numa cidade com 7mi de pessoas. E sim, também tem vacas. E rickshaws. E pessoas.
2. “Os indianos comem com as mãos”: nas casas e em locais típicos realmente se come com as mãos e não é necessariamente nojeeento. Em escolas ou comunidades mais tradicionais, a comida é servida numa folha de bananeira. Ainda assim, em restaurantes existem talheres, mas dificilmente facas. Como eles não comem carne, nem tem muito o que cortar.
3. Homens e mulheres: é bastante evidente a “superioridade” masculina na sociedade como um todo. Homens se abraçam o tempo todo, trocam carinhos, dão as mãos, etc. E isso não acontece com as mulheres. Elas andam de lado na moto, se seguram na moto e não encostam nos homens. Não há qualquer tipo de demonstração de afeto em público entre homem e mulher ou mesmo entre mulheres.
4. “E tudo uma sujeira”: é realmente bastante sujo. Tem lixo pra todo lado e pra eles o conceito de limpeza é, com certeza, muito diferente do nosso. Minha mãe ia infartar se andasse ou tivesse que comer por aqui. Os copos vem sempre sujos, mesmo em redes como Pizza Hut, onde tudo é bem mais limpo. E o engraçado é que eles convivem com a sujeira como se nada fosse. As vacas – leia-se sagradas – comem e vivem dentro do lixo. Já que é sagrada, podia ser tratada melhor, né?!
5. “É um país perigoso”: eu não senti medo nenhuma vez aqui, mesmo de noite. Claro que andar sozinha de rickshaw, por exemplo, é um pouco assustador, mas de uma maneira geral não traz uma sensação de insegurança como a que a gente tem no Brasil. Os indianos mesmo dizem que aqui eles tem muito mais medo de grandes ataques terroristas do que questões cotidianas, como assalto ou sequestro. Além do que, tem tanta gente por todos os lados que qualquer coisa é só gritar.
6. “A comida é muito apimentada”: fato, fato, fato. TUDO, veja bem, TUDO, tem curry, pimenta, açafrão, cominho e todas as milhares de especiarias que um ser humano pode imaginar. Eu, que adoro pimenta, quase não consigo comer, pq é realmente muito forte. E é engraçado, pq eles comem tanto isso que as pessoas cheiram a temperos. É bom que aí não vem mosquito Existe a opção de pedir com menos pimenta, mas eles nunca obedecem. Aí ontem encontramos uma tática:
-”Sir, is it spicy?”
-”No, mam”
-”Are you sure? I’m alergic”
-”Don’t you like pepper, mam”
-”I do Sir, but I can die if I eat”
-”Hmmm.”
7. “Indianos não comem carne”: realmente muitas pessoas são vegetarianas. Carne vermelha (de búfalo) só no Hard Rock. Eles comem muito frango (com curry) e em todos os restaurantes existem opções Veg e Non-Veg. Além disso, todo e qualquer produto é identificado: bolinha verde pra Veg e bolinha vermelha pra Non-Veg (até chiclete e Pringles tem!).
8. “A água é suja”: comprar água mineral aqui é MUITO barato, então não vale a pena arriscar. Pode-se comprar uma garrafa de 1L por 15 rúpias (50 centavos, mais ou menos) e refrigerante também é barato. Os locais tomam, mas as águas que eles servem de jarra é sempre meio turva e nunca se sabe de onde vem.
9. “A família é muito valorizada”: sim, sim. E isso é lindo. Todas as vezes que eu converso com qualquer indiano – principalmente crianças – eles perguntam o meu nome, o nome do meu pai, da minha mãe e se eu tenho irmãos. Se sim, querem saber o nome. Perguntam como eles são, se estão aqui comigo, o que fazem. Coisa mais fofinha.
10. “Indianos não se divertem”: que nada! Tem um monte de festa por aqui, até pq tem muito estrangeiro. A única diferença é que elas acabam por volta das 23h. Eles simplesmente acendem as luzes e colocam todo mundo pra fora. A festa do ano-novo acabou 00h30, pra ter uma ideia. Além disso, em festas é possível ver várias indianas com as pernocas de fora, apesar de não ser muito culturalmente aceitável.

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